segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Um case para iPhone com os controles do Nintendinho!

Este case para iPhone em formato de controle do velho Nintendinho vai agradar aos gamers saudosistas, pois tem botões que funcionam de verdade, ou quase, já que não controlam nada. Ficar apertando botões que não tem utilidade pode parecer maluquice, mas isto pode ter um valor terapêutico para algumas pessoas, como se fosse um plástico bolha infinito. Meu amigo Izzy Nobre com certeza vai adorar.
O NES Controller Case é compatível com o iPhone 5 e 5s e custa US$ 35 na ThinkGeek, que faz entregas no Brasil. Como fanático pela Nintendo e antigo proprietário orgulhoso de um NES, já encomendei o meu!

Wholock, um mashup entre Sherlock e Doctor Who

Um fã com realmente muito tempo livre se dedicou de forma metódica a fazer um mashup entre as duas séries inglesas mais famosas da atualidade, Sherlock e Doctor Who, que não por acaso, contam com os mesmos autores, Mark Gatiss e Stephen Moffat. O cuidado com os detalhes é tamanho que você fica com a impressão de que Benedict Cumberbatch e Matt Smith realmente gravaram juntos dentro da TARDIS, mas é tudo um trabalho minucioso de montagem.
No vídeo, Sherlock é convidado pelo Doctor para ser seu novo companheiro de viagens temporais e interplanetárias, com direito inclusive a um “climão maneiro” entre os personagens, que eu tenho certeza que deixaria tanto Amy Pond quanto Clara Osmond com muitos ciúmes, assim como outro Doctor, o John Watson! ;)

Monitor Full HD sensível ao toque com caneta stylus da Sharp

A Sharp vai lançar um monitor de 20 polegadas Full HD sensível ao toque, criado especialmente para quem precisa fazer desenhos com precisão. Ao pressionar os botões da base, você pode acionar a borracha ou o botão com o clique direito.
A base tem ângulo ajustável, e a caneta stylus tem um suporte próprio. Só não entendi esse fio saindo da caneta, mas tudo bem.

Google compra Boston Dynamics, seria este o começo do fim?

O Google confirmou ontem a compra da Boston Dynamics, empresa responsável pelos incríveis robôs de quatro patas Big Dog, Wild Cat e Cheetah por uma soma não revelada. Até aí tudo bem, o problema é saber o que o Google vai aprontar com esta tecnologia. O responsável pela façanha é Andy Rubin, ex-Mr. Android, e atual responsável pela divisão de robótica do Google. Andy não conseguiu se conter e disse no twitter que “o futuro parece maravilhoso”.
A Boston Dynamics foi fundada em 1992 pelo ex-professor do Massachusetts Institute of Technology, Marc Raibert. A empresa vive de contratos com a DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency), que irão ser honrados mesmo depois da venda para o Google.
Já ouvi falar por aí que este seria o começo da Skynet, a corporação maléfica mas acho maldade e um exagero. Mesmo assim, confesso que ficaria preocupado em encontrar um Big Dog na rua, mesmo que ele tivesse uma função inocente como levar uma câmera do Street View ou simplesmente oferecer informações, e você?
Espero que o slogan “Don’t be evil” seja aplicado com mais rigor do que nunca pelo Google, sem esquecer das famosas Leis da Robótica de Asimov! ;)

Nimbus, um painel de instrumentos estilo retrô para monitorar o que você mais gosta!

O Nimbus é um painel de instrumentos com estilo retrô que lembra o painel de um carro antigo, e serve para você monitorar tudo o que você mais gosta. Basta instalar o aplicativo Wink, conectar seu Nimbus e escolher o que quer monitorar nos quatro medidores, que podem mostrar seu próximo compromisso, o volume de e-mails ou de menções nas redes sociais como Facebook, Twitter ou Instagram, a situação do trânsito ou a previsão do tempo. Ele funciona até com a pulseira Fitbit para monitorar as calorias que você gastou em seus exercícios, ou sua quantidade de horas de sono!
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A informação aparece de duas formas, como uma mensagem em um pequeno display ou um contagiros típico de um velocímetro, que mostra de maneira simples e rápida se a coisa está sob controle ou não. Apertando o topo do Nimbus, você pode ter mais informações sobre cada medidor. O aparelho também funciona como alarme, e com o botão no topo acionando o sempre útil modo soneca, que você deve sempre usar com moderação para não correr o risco de perder algum compromisso importante.

Coreia do Norte está seguindo a cartilha de Caracala; felizmente há a internet

Na última semana a comunidade internacional foi informada que o Grande Líder da Melhor Coreia Kim Jong-un, como bom ditador não é uma pessoa necessariamente boazinha, e que a rigor qualquer um está na sua mira. Até ele assumir o governo pensava-se que ele era uma figura um tanto decorativa por ser jovem, e que seria manipulado pela junta militar já calejada do governo local.
Não poderiam estar mais errados: desde que assumiu ele já mandou literalmente para a vala diversos militares de alto escalão sob acusação de traição. A impressão que dá é que o gordinho não só pretende governar sozinho como vai realizar uma limpa no país. E nisso até sua ex-namorada, uma cantora lírica foi acusada de gravar um vídeo pornô e disponibilizar na internet (qual?), e foi igualmente executada.
O mais novo a dançar foi seu tio Jang Song Taek, anteriormente apontado como o número dois do país e encarregado de ser o tutor do líder por seu pai, Kim Jong-il. Acusado de traição, a imprensa norte-coreana o descreveu como “pior que um cão” e “escumalha humana”, diante das acusações de “levar uma vida depravada”, com abuso de drogas, promoção de orgias, exploração de mulheres e jogo e de claro, liderar uma facção ante-governista. Ele já havia sido expulso do Partido Comunista, mas no último dia 12 ele foi julgado, condenado e imediatamente executado. Há informes de que diversos profissionais que trabalham no exterior e que teriam ligações com Taek foram chamados de volta, provavelmente para compartilharem do mesmo destino. Se vão voltar são outros quinhentos.
Não muito depois, como todo ditador que se preze Kim Jong-un apagou o tio da existência: todos os registros, fotos (inclusive algumas em que aparece junto com os líderes atual e anterior) e documentos foram removidos. O site da Agência Central Coreana que é hospedado no Japão foi sistematicamente derrubado:
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Quando voltou 45 minutos depois, todas as postagens centradas em Jang Song Taek foram apagadas e outras centenas que o mencionavam foram editadas, numa tentativa de exterminá-lo também na rede.
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Apesar de todo mundo se lembrar de Stalin nessa hora, a verdade é que a prática é muito, mas MUITO mais antiga. No Império Romano havia um termo para esse tipo de condenação: damnatio memoriae. O Senado ou o imperador condenava o réu (vivo ou morto), geralmente um nobre a ser apagado da existência, embora isso também tivesse um motivo financeiro, os bens do condenado eram confiscados pelo Estado.
Devido à própria natureza da pena os historiadores não tem certeza de quantos foram de fato apagados, por razões óbvias. Um dos registros mais curiosos é o Tondo (arte realizada num suporte redondo) da família de Caracala, imperador que construiu uma terma cujas ruínas impressionam até hoje. A arte retrata ele quando jovem e os pais, o então imperador Sétimo Severo e a imperatriz consorte Júlia Donma, além de seu irmão mais novo Geta. Ou em partes, já que o rosto deste último foi limado:  após a morte do pai eles deveriam governar juntos, mas Caracala decidiu que dois era uma multidão, armou para o irmão ser condenado à morte por traição (junto com 20 mil partidários; Roma não era moleza) e assumiu o império sozinho, relegando Geta ao esquecimento. Claro que pelo fato dele ter sido imperador escaparam um ou outro registro, mas imagine quantos senadores e outros nobres (essa punição não era reservada à plebe, afinal eles não tinham posses que valessem o confisco pelo Estado) podem ter dançado dessa forma e nunca ouviremos falar deles.
Antes dele outro imperador também foi apagado: Cômodo (é, aquele) foi considerado inimigo do império após sua morte e com certa razão: em sua megalomania ele se auto-denominou o novo Rômulo (além de se ver como o próprio Hércules) e havia até renomeado Roma para Colônia Comodiana. Foi o próprio Sétimo Severo (originalmente um militar a serviço de Marco Aurélio e Cômodo) que restaurou sua imagem de imperador para agradar sua família, do contrário poucos registros chegariam aos tempos de hoje.
A bem da verdade essa não será a primeira nem a última vez que um ditador tentará apagar um desafeto da história. Mas diferente de Roma temos a internet para preservar esse tipo de informação. Não que os nortes-coreanos a acessem de qualquer forma, mas mesmo assim não deixa de ser um registro histórico.

A Fotografia está morrendo?

De tempos em tempos temos algum artigo apocalíptico dizendo que algo está morrendo, ou simplesmente vai acabar. Até hoje estamos esperando a morte do rádio ou o fim do papel. Mas, alguns destes artigos nos trazem coisas para pensarmos. É o caso do texto intitulado The Death of Photography: are camera phones destroying an artform? publicado no The Guardians por Stuart Jeffries em 13 de dezembro. Ele parte de uma pergunta simples: estaria a massificação da fotografia destruindo a arte? Pergunta complicada. Em vez de expressar unicamente sua opinião, o jornalista procurou alguns grandes fotógrafos e os fez pensar sobre o assunto.
O primeiro a ser questionado foi Antonio Olmos, fotógrafo mexicano que vive em Londres. Segundo ele, nunca houve tantas fotografias tiradas no mundo, mas ao mesmo tempo a fotografia está morrendo. Para o fotógrafo isso se deve justamente pela massificação. Para falar a verdade, a reportagem toda foi motivada por dois acontecimentos da semana passada. O primeiro foi flagrante do autorretrato em que participou o Presidente dos Estados Unidos Barack Obama na cerimônia em memória a Nelson Mandela. Segundo a reportagem ela mostra toda a natureza narcisista que cerca a nova fotografia executada com celulares. O segundo fato foi a divulgação de uma pesquisa feita por psicólogos onde foi demonstrado que o atual comportamento que nos leva a fotografar tudo o que vemos tem por consequência o fato de não vivermos intensamente o momento, levando a sua não assimilação total dos fatos. Ou seja, quando mais você fotografa o seu cotidiano, menos capacidade de se lembrar dele você tem.
É nesse segundo ponto que Olmos bate mais forte:  “As pessoas que tomam fotografias de sua comida em um restaurante em vez de comê-la. As pessoas que tomam fotografias da Mona Lisa , em vez de olhar para ela. Acho que o iPhone está levando as pessoas para longe de suas experiências.” O argumento do fotógrafo também passa pela história do surgimento da fotografia, onde os pintores perderam o filão de retratos de família para os fotógrafos. Agora, os profissionais estão perdendo o seu espaço para as fotografias feitas pelo cidadão comum. Entendo o argumento do fotógrafo, mas sinto aqui também um pouco de amargura. Sabemos que o ramo do fotojornalismo, a área de Olmos, está em crise. Antigamente era necessário enviar um profissional para uma zona de conflito. Hoje é possível encontrar diversas fotos desses conflitos feitas por quem está vivendo o acontecimento. Imagens feitas com celulares e postadas em redes sociais. Complicado competir com esse tipo de interatividade.
Por outro lado, o fotógrafo Eamonn McCabe tem uma visão um pouco diferente. Para ele, a massificação da tecnologia digital está deixando os fotógrafos cada vez mais preguiçosos. Antes uma sessão fotográfica era feita com dois rolos de filme de 24 poses. Hoje pode-se fazer mil fotos em uma sessão e todos os defeitos são corrigidos no pós processamento. Sem dizer que tamanha quantidade de fotos nos tira a capacidade de apreciar uma imagem. Por isso que sempre digo que ninguém vai querer ver as 2 mil fotos de suas férias. Faça uma seleção de 20 fotos e vai ser um sucesso. “As pessoas estão fazendo um monte de fotos , mas ninguém está olhando para elas”.
E, no final do artigo, temos a voz da razão na pessoa do fotógrafo Nick Knight, que já publicou um livro e fez uma campanha de moda utilizando apenas o iPhone. Para ele, o iPhone trouxe uma liberdade que só tem paralelo com os anos 60, quando deixou-se de utilizar tripé nas sessões de moda com a utilização de câmeras 35mm em detrimento das médio formato. Segundo Nick, “O que importa, artisticamente, não é quantos pixels ela tem , mas se a imagem funciona. A máquina com que você cria sua arte é irrelevante.”
O artigo é muito mais denso e merece uma leitura detalhada. Mas, qual minha opinião? A arte sempre vai estar morrendo, segundo a opinião de alguém. Além do mais, a fotografia não é arte. É uma forma de comunicação que pode ser utilizada como arte. Essa utilização que se encontra em baixa ultimamente e é de difícil acesso para o público comum. Até mesmo para os fotógrafos que investiram milhares de Reais em seu equipamento. Vejo muita foto feita com câmeras caras, lentes soberbas, conhecimento técnico e pós processamento exorbitante que são, apenas, bonitinhas. Expressões máximas da frase “sua fotografia é tão boa quanto seu equipamento”. A fotografia, como expressão da arte, não está morrendo. Ela continua existindo  no mesmo nicho que sempre existiu. Talvez agora um pouco mais escondida por conta da massificação, mas ela está lá, vivendo bem.